Interseccionalidade de gênero, raça e classe na formação médica: desafios de inclusão e cuidados a grupos vulneráveis
Resumo
O presente estudo tem por objetivo analisar como fatores socioeconômicos e culturais influenciam a formação da identidade profissional de estudantes de Medicina durante a graduação, bem como sua compreensão em relação ao papel profissional e na qualidade do atendimento a pacientes de grupos minoritários ou vulneráveis. Buscou-se descrever o processo de construção de identidade profissional do estudante de Medicina ao longo da graduação. Para tanto, a pesquisa realizada classifica-se como exploratória e transversal, em que foram coletados dados primários, com metodologia quanti-qualitativa. Na primeira fase, foi aplicado questionário survey para 41 graduandos da Faculdade Dinâmica do Vale do Piranga (Fadip) e para 63 acadêmicos da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Na segunda etapa, realizou-se entrevista em profundidade com quinze discentes da Fadip e treze graduandos da UFV, recorrendo-se à amostragem snowball. O survey indicou que a ocupação da mãe influencia a escolha de especialidades médicas, enquanto a ocupação do pai e a raça dos estudantes não. Filhos de mães "donas de casa" preferiram especialidades de alto status. Homens brancos com capital econômico médio tiveram leve vantagem em relação à correspondência entre suas expectativas de mercado e a realidade, embora sem significância estatística. A pesquisa identificou que estudantes de Medicina com maior capital cultural, especialmente influenciados por suas mães, tendem a valorizar a escolha pela carreira médica. Filhos de mães na área da saúde preferem competências sócio-humanistas, enquanto o inverso ocorre com filhos de mães fora desse campo. A pesquisa verificou ainda que estudantes pertencentes a grupos minoritários enfrentam desafios específicos, como barreiras acadêmicas e emocionais. Desse modo, podemos observar como a intersecção de raça, gênero e classe influencia na formação e na escolha de especialidades médicas. Estudantes com maior capital econômico buscam especialidades de alto status, enquanto os outros preferem áreas de menor status. Identificou-se, dessa forma, a importância de uma formação médica que adote uma abordagem interseccional e humanizada, promovendo um cuidado inclusivo na saúde e na educação.
Descrição
Citação
OLIVEIRA, Márcia Farsura de. Interseccionalidade de gênero, raça e classe na formação médica: desafios de inclusão e cuidados a grupos vulneráveis. 2024. 268 f., il. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) — Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2024. Orientadora: Alessandra Sampaio Chacham.