Bebês que se tornam crônicos na atenção neonatal: proposições para transição de cuidados

Resumo

O estudo se propôs a analisar a transição dos cuidados dos “bebês crônicos” nas unidades neonatais das maternidades, buscando investigar as barreiras que dificultam esse processo. Os objetivos específicos foram: analisar o perfil epidemiológico desses bebês a partir do banco SMCON, compreender os significados atribuídos à transição de cuidados e sistematizar, pela experiência de enfermeiros, os fatores que contribuem para a cronificação e institucionalização. A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas: análise de dados anonimizados do SMCON e realização de grupo focal, com enfermeiros de três unidades neonatais de maternidades do Rio de Janeiro. A análise do perfil epidemiológico apontou fatores de risco para internação prolongada, como hipotermia, ventilação mecânica, infecções e hemorragias intracranianas, majoritariamente associados ao cuidado e, portanto, evitáveis. A permanência prolongada foi multifatorial, incluindo escassez de leitos pediátricos, fragilidades na regulação assistencial e ausência de fluxos estruturados para a transição de cuidados. Essas condições impactam negativamente os bebês e as suas famílias, assim como os profissionais de saúde, que relataram fadiga por compaixão e dificuldades em lidar com práticas de obstinação terapêutica, ressaltando a necessidade de inclusão dos cuidados paliativos. Conclui-se que a cronificação neonatal decorre não apenas de condições clínicas, mas de lacunas sociais, estruturais e organizacionais do sistema de saúde. Reforça-se a importância do fortalecimento do SMCON, da ampliação da regulação especializada, da reativação de instâncias mediadoras como a Câmara Técnica de Atenção Neonatal e da implementação de políticas de promoção e prevenção no ciclo gravídico-puerperal, visando reduzir iatrogenias, qualificar a transição de cuidados e evitar institucionalizações desnecessárias.

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https://deposita.ibict.br/handle/deposita/871

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