Atividade inseticida dos extratos das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (VELL.) MORONG) sobre o Aedes aegypti (Diptera: Culicidae)
Resumo
Os inseticidas químicos sintéticos constituem a principal forma de controle do Aedes aegypti.
Porém, seu uso apresenta diversas limitações, dentre elas, a toxicidade ambiental, risco à saúde
humana e seleção de populações de insetos resistentes aos inseticidas. Tais fatores favorecem
a crescente busca por substâncias naturais com propriedades inseticidas. Esse estudo avaliou a
atividade inseticida dos extratos brutos das sementes de Enterolobium contortisiliquum (Vell.)
sobre ovos e larvas do A. aegypti e, verificou o perfil fitoquímico e a presença de lectinas no
extrato. E. contortisiliquum apresenta ampla distribuição geográfica no Brasil. Suas sementes
são conhecidas pela toxicidade, propriedades medicinais e proteínas bioativas. A extração dos
compostos bioativos foi realizada em solução salina de NaCl 0,15 M, pela sua capacidade de
solubilizar estas moléculas. Para o preparo do extrato bruto, vinte gramas do pó obtido da
trituração das sementes foram homogeneizados por 4h a 25º, em 200 mL da solução salina. Os
ovos de A. aegypti foram obtidos por meio de captura com armadilhas do tipo ovitrampa. Após
as eclosões, as larvas foram mantidas em câmara climatizada do tipo B.O.D. (Biochemical
Oxygen Demand) com temperatura de 25±1°C, umidade relativa do ar de 70±10% e fotofase
de 12 horas. Para os ensaios com ovos e larvas de A. aegypti, o extrato bruto foi utilizado na
forma crua (Raw Crude Extract - RCE) e fervida (Boiled Crude Extract - BCE) a 100º C por 5
min. Foram testadas as concentrações de 4,68; 9,37; 18,75; 28,13; 37,13 e 46,89 mg/mL, tendo
a água destilada como controle negativo. Os ensaios foram realizados em triplicada. Os testes
de atividade larvicida foram realizados na câmara B.O.D. Os dados foram submetidos à análise
de variância, Teste de Shapiro-Wilk, Teste de Tukey e análise Log-Probit para determinar as
CL50 e 90 dos extratos. O BCE apresentou melhores resultados sobre os ovos do que o RCE,
conseguindo impedir a eclosão das larvas de 81,66% ± 10,40% dos ovos tratados, na
concentração de 46,89 mg/mL. O aumento da concentração melhorou os resultados do BCE
contra os ovos. As respectivas CL50 e 90, foram definidas em 35,95 e 52,67 mg/mL,
respectivamente. Nos testes com larvas, as concentrações de 46,89 e 37,13 mg/mL, para RCE
e BCE, causaram 100% de mortalidade em 24 horas de exposição. O aumento da concentração
melhorou a ação de RCE e BCE. A mortalidade larval nas demais concentrações teve acréscimo
com o aumento do tempo de exposição para 48 h. A concentração e o tempo isolados, bem
como sua interação são fatores significativos para a atividade larvicida dos extratos (p<0,001).
Por apresentar melhor eficiência total (E=72,77), RCE, com 48 h de exposição é o extrato mais
promissor sobre as larvas. 10,86 mg/mL de RCE com 48 h de exposição é a menor dose capaz
de matar 90% das larvas (CL90). Em RCE, a presença de lectinas e os metabólitos secundários:
flavonóides, xantonas e fenóis, foram detectadas. Os resultados demonstram o potencial dos
extratos das sementes de E. contortisiliquum na ação ovicida e larvicida sobre o A. aegypti.