Avaliação postural através da biofotogrametria computadorizada em pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico do câncer da mama

Resumo

Introdução: O câncer de mama é a enfermidade maligna mais incidente entre as mulheres e é o tipo de câncer mais encontrado na população brasileira. Dentre as possíveis complicações advindas do câncer e de seu tratamento, estão as alterações posturais. Apesar da relevância da postura na realização das atividades de vida diária e no risco de complicações funcionais e álgicas decorrentes de uma alteração postural, poucos estudos abordam essa problemática. Objetivo: Avaliar o alinhamento postural de pacientes submetidas à cirurgia para tratamento de câncer de mama e analisar os fatores demográficos e clínicos associados às alterações posturais após a intervenção cirúrgica. Métodos: Foi realizado um estudo transversal em uma amostra composta por 111 pacientes com idade de 57,3 ± 12,2 anos (média ± desvio padrão) e período pós-operatório de 23,3 ± 19,45 meses, que compareceram a revisão anual no Setor de Fisioterapia do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Para a avaliação postural foi utilizada a biofotogrametria computadorizada nas vistas anterior, lateral direita e esquerda. A quantificação dos dados foi realizada empregando o software de avaliação postural (SAPO). Os ângulos posturais foram comparados de acordo com: faixa etária, estadiamento histopatológico do tumor, tipo de tratamento cirúrgico, abordagem axilar, presença de quimioterapia neoadjuvante e tempo de pós-operatório. Resultados: Houve efeito significativo de características clínicas e demográficas sobre o alinhamento postural. A faixa etária e a abordagem axilar influenciaram principalmente o posicionamento ântero-posterior e lateral da cabeça, enquanto o tratamento quimioterápico neoadjuvante foi associado a diferenças no alinhamento ântero-posterior do tronco e corpo e na orientação lateral dos ombros. Conclusão: Características clínicas e a idade estão associadas a alterações posturais em pacientes com uma média de dois anos após tratamento cirúrgico do câncer de mama. Os resultados do presente estudo são relevantes para a elaboração de estratégias para otimizar a reabilitação em mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico desse tipo de câncer.

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