Pistas linguísticas e paralinguísticas para os sentidos diminutivos
Resumo
Nos termos da gramática normativa, convencionou-se que o diminutivo é o processo gramatical
que se refere aos nomes derivados que, por meio de sufixos, denotam a noção de dimensão
pequena em relação às suas palavras primitivas (OLIVEIRA, 1536; BARBOSA, 1822;
SOARES BARBOSA; 1845, dentre outros). Entretanto, o processo de derivação nos
diminutivos resulta não somente em ideia de pequenez: (i) os diminutivos expressam ideias
associadas à emotividade (CUNHA; CINTRA, 1985; BECHARA, 2009, dentre outros),
diminuindo situações de forma apreciativa ou depreciativa; (ii) como também existem
diminutivos que caminham ou já estão em um processo de lexicalização (ROCHA LIMA, 1992;
ROCHA; VICENTE, 2016). No português brasileiro, o comportamento do diminutivo vem
sendo observado a partir de [x-inho] e [x-zinho] como variantes de uma variável linguística
para compreensão do significado do diminutivo, destacando a relação entre variáveis estruturais
relacionadas à expressão do sufixo. No entanto, ainda há poucas evidências da sistematicidade
de padrões para a distinção entre diminutivos lexicalizados e afetivos, e entre a apreciação
positiva e negativa; os valores são decorrentes da intuição e subjetividade do analista para
avaliar, por meio de pistas contextuais, a valoração do diminutivo. A fim de ampliar o escopo
de análise sobre o significado do diminutivo, consideramos o tipo de classificação do
diminutivo (afetivo ou lexicalizado) + o tipo de apreciação (positiva ou negativa) para analisar
o comportamento do diminutivo em 30 entrevistas sociolinguísticas documentadas em áudio e
vídeo com estudantes universitários da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A partir de 241
ocorrências, identificamos a associação dos fatores estruturais (base morfológica, sufixo,
tonicidade, extensão silábica, classe morfológica), fatores estilísticos (tópico discursivo e
envolvimento do falante), fatores suprassegmentais (recursos prosódicos) e fatores
paralinguísticos (expressões faciais), ampliando o poder de explicação sobre o significado dos
diminutivos. Realizamos duas análises independentes entre si: (i) variáveis estruturais e
variáveis prosódicas (testes de associação e análises de variância); (ii) e uma análise com as
variáveis semânticas e variáveis emocionais (com reconhecimento facial a partir do protocolo
Action Coding Systems - FACS). Observamos que existe uma convergência entre os resultados
de análises que tomam o sufixo como variável dependente. As variáveis base morfológica,
sufixo, tonicidade, extensão e classe diferenciam os diminutivos lexicalizados e afetivos. As
variáveis prosódicas não diferenciaram os tipos de diminutivos que foram controlados. Na
análise do reconhecimento facial dos falantes, os resultados sugerem relação entre a expressão
facial do participante e o tipo de apreciação associada ao diminutivo. Os resultados apontam
que existem pistas linguísticas e paralinguísticas que atuam na diferenciação dos diminutivos,
seja entre lexicalizados e afetivos, e entre apreciação positiva e negativa, contribuindo com
evidências para análises intuitivas como as apresentadas nas gramáticas. Por fim, consideramos
que houve uma limitação da amostra e em relação à análise do reconhecimento facial, por isso
é preciso realizar uma testagem em larga escala para ampliar o poder explanatório dos
resultados.
Descrição
Citação
PINHEIRO, Bruno Felipe Marques. Pistas linguísticas e paralinguísticas para os sentidos diminutivos. 2021. 97 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2021.